A VINGANÇA DA VELHA GERTRUDES (SAPOS ERÓTICOS)


Dormia tranquila. O sono pesado. Ressonava sozinha no quarto. Os pais dormiam no quarto em frente. Sentiu algo estranho subir-lhe pelas pernas. Achou que sonhava. Um arrepio tomou conta do corpo. Algo diferente acontecia entre suas coxas. Estremecia num misto de surpresa e prazer.

A coisa prosseguia. Com 13 anos de idade, estava tendo seu primeiro orgasmo, embora não fizesse ideia do que era isto. No meio de suas pernas um sapo remexia a língua. Salivava a pequena vulva. Deixava-a molhada. Molhadinha. De baba e prazer. Um sapo verde amarronzado. Um sapo erótico.

Mas a coisa não acontecia só ali. Em cada lar, meninas tinham suas vaginas penetradas por línguas anfíbias. E meninos tinham seus pequenos falos sugados. Os sapos eróticos não se importavam com o gênero. Só desejavam levar os inocentes ao prazer máximo. Era a vingança da velha Gertrudes.

JOVEM


Podemos atribuir este conhecimento ao nosso atual nível tecnológico; percebo enquanto redijo esse texto o quanto, mesmo tratando do assunto, não consigo conter meus impulsos. É como se cada movimento de meu corpo pertencesse, em maior ou menor grau, a mesma ânsia de saciar a busca por esse prazer.

Saber que estou, no fundo, tendo um ato suicida não pode ser o motivo que me leva a gozar de meus vícios, talvez antes, quando a tecnologia da informação não exercia um domínio tão grande sobre nossas vidas poderíamos nos dar ao luxo de nos drogarmos despreocupados.

É inegável que o prazer provocado pela cocaína, álcool, tabaco e demais drogas, se colocados em uma balança não teriam peso contra os males provocados à nossa saúde.

AMO-TE AOS PEDAÇOS


Há quatro meses trocávamos ideias pela internet. Jamais nos tínhamos encontrado pessoalmente, mas ela tinha algo que eu não conseguia descrever, atraía-me como a carniça atrai um abutre. Era sujo, mas ainda assim bonito. Falávamos de coisas grotescas, a atração que ela conservava por cadáveres. Era legista. Mesmo os meus segredos mais imundos, como me masturbar cheirando as calcinhas de minha mãe, eu os contava todos. Não sei, não sei por quê.
            
Ela vivia noutro país: teclávamos em inglês. Seu nome era P... Possuía um lindo par de olhos castanhos e amendoados; sua aparência, contudo, não fugia do padrão do seu povo, mas ainda assim eu vi nela algo que não podia mensurar, explicar; era-me asfixiante. Sentia-me mal se ficasse um só dia sem vê-la pelo webcam ou sem ler os seus textos habilmente redigidos.
            
Vivia com o pai. Único ente da família, juntamente com ela, que havia sobrevivido a um lastimável acidente de avião. Todos tinham morrido quando viajavam para uma grande reunião de família que acontecia todos os anos. A família era rica até então. Quando o inventário foi finalizado, tudo passou para as mãos do homem que vivia com ela hoje. Ele torrou o trabalho de três gerações em bebidas, festas e mulheres. Deixando a própria filha na miséria.

OS LÁBIOS DE MARILYN I


Estava parado no balcão do bar sonhando com o anjo loiro de lábios fartos. Desejava possuir aqueles lábios de todas as formas. Sentir a baba hollywoodiana correr pelo seu corpo. Delirava distante, vendo a pequena pinta facial aproximar-se com luxúria do seu membro rijo. De repente ouve uma voz grave chamando-o de volta à realidade.

- Minha dose de sempre, porra! – gritou Fred, o gaiteiro bêbado.

- Já tá saindo – respondeu, acordando de sobressalto.

Serviu o músico moribundo e voltou aos seus pensamentos. Marilyn. Marilyn. Marilyn. Seu vestido branco balançando ao vento, seus olhos piscando,mordendo seu lábio inferior. Sonho. Sabia que era tudo devaneio da sua cabeça. Um barman sem futuro, que não conseguia conquistar nem a garçonete gorda.

A madrugada se ia e os bêbados deixavam o recinto, ele ia limpando o bar. Arrumando as cadeiras, lavando os copos. Quando viu em cima da mesa um pacotinho.