EDITORIAL - TRIGÉSIMA EDIÇÃO

Nos des-convexos pensares acerca da linguagem, do dito concluído,absorvido, mensurado, resmungado, falado, desdito,regurgitado, enfiado goela abaixo, vomitado e afins...perdemos a noção do falso universo criado pela fala. Nele criamos vitórias, culpas, dores e prazeres. Traduzimos anseios em meio a pontuações destoantes e complexas. Abstraímos o sentir pelo realizar. Depois de estuprar um feto, alienígena ou animal, de quem é a culpa? Sua, das ideias, das vontades, de deus? Não sabemos. Aconselhamos que leia os contos e se masturbe com suas próprias ideias bizarras e nunca se esqueça dos desejos sexuais que teve quando matavam algum inseto na sua presença durante a tenra infância.

UMA CONVERSA CASUAL NA CAMA IMPREGNADA DE SEXO


 Que é o pensamento? 

 Que é o quê? 

 O pensamento. 

 Vejamos…Que pensa você que ele seja? 

– Imagens, acho. 

– Imagens? 

– É. Como se fossem quadros, você fala alguma coisa e eu imagina, entende? 

– Tipo. Você comendo porra com fezes?

O REGOZIJO PELOS ANJOS ASFIXIADOS


A miscelânea da manhã acordava. De sobressalto, ele despertava esfregando os olhos grandes e lacrimejantes. Bocejava escancarando a bocarra matinalmente fétida. Erguia meio tronco, desejando continuar deitado. Levantava-se de supetão. Acordava novamente com seu dilema doentio. Era o monstro que era. Não sabia e nem interesse tinha em descobrir como parar.  

A primeira vez que cometera seu ato, que cedera ao seu desejo nefasto, havia também conjuntamente assumido outro pecado, sem querer havia assassinado. Nunca fora sua intenção. Ele era lindo. Rosado. Recém  tinha chegado à sua casa.  Dividia a velha casa, herdada da mãe, com a irmã e o cunhado. E por pouco tempo com seu sobrinho recém nascido. 

Esse último, sua vítima. Sentiu aflora-lhe o desejo que o dominava em pensamentos. No auge de seus 30 anos, nunca praticara aquela insanidade. Mas o pequeno corpo, quente e sadio, sorridente e próximo fora sua bancarrota, o primeiro passo para sua tentação. Tocou as bochechas vermelhas, ele sorriu.

MICRO-CONTO I - Sr. Insônia


Eu ainda me lembro

EDITORIAL - VIGÉSIMA NONA EDIÇÃO

No fim das contas, falar de sexo é quase sempre falar da relação vida-e-morte. Seja morrer em si mesmo numa loucura masturbatória. Morrer no outro, na extensão do outro, no corpo do outro. Morrer na auto-incompreensão, sufocando seu eu no seu desejo carnal por outro ser que nem sabe de sua existência. Seja o orgulho, o amor próprio. O amor idealizado, cujo materialização findará em desespero, ou ainda, a emoção correspondida na mente e no corpo... Sempre será uma vida indo em direção à morte.
Sem mais delongas e sem ressaltar as escatologias da HOT, que sempre andam por aí, seguimos com uma tentativa de um poema Dadaísta. Um poema composto por frases dos três escritos hotfritolianos desta edição.

Poema-hot-dada

gozarmos prazeres.
belo liquido.
indiferentes ao homem pálido
Aquilo que hoje me esquenta.
sugando e expelindo todas as sensações possíveis.
Para poder negar até a mim.
sangue de ambos, sentia repúdio.
ainda gotejando sua vida.
a  chama do coração para a primavera.
Possuído pela melodia estranha.
Não ria, nem nada.
Preciso de um corpo .
Sinto seu fedor.

MEU FRENESI LESMÁTICO


Parecia que estava escuro. Devia estar escurecendo. Uma morbidez de mim tomava conta. A tela do computador também se escurecia. Findava seu brilho. Ainda conseguia enxergar a imagem. Mas era um brilho fosco. Único foco de luz. Alguma música tocavaFazia-se empolgadamente mórbida. Eu não sentia medo. Sentia-me terrivelmente bem. Na tela, a imagem de uma obra, Van Gogh era o dono dos traços admirados. Os três quadros da série "Quarto em Arles". Sem explicação, passava-as repetidamente. A penumbra caía. Dentro de mim uma insatisfação brotava. Ao mesmo tempo, uma euforia tomava conta de meu ser. Não ria, nem nada. Mas sabia que algo estava acontecendo.
Possuído pela melodia estranha, envolvido pelo fumaça do palheiro que findava, pus-me a rir. Uma risada que saiu sufocada, relutante. Mas explodiu em uma longa gargalhada que me sufocava. As imagens já eram disformes. 

A melodia retumbava em ouvidos. Não sei da onde vinha, mas um tic-tac rápido ecoava na minha mente. Sentia uma força nefasta dominando-me. Os arrepios em meu corpo ora me transportavam para uma felicidade, um descampado calmo , sereno. Ora jogavam-me numa confusa guerra, pedaços de corpos voando. Vermelho singrando meus olhos. Gritos de desespero. Em ambos lugares, sentia-me completo. Pleno de vida e pronto para a morte.

ANTIARETÉ


Preciso de um corpo 
Corpo que respire 
Corpo que ame  
Corpo que transpire  
Que me faça escrever poemas  
Juntos gozarmos prazeres  
Que me ame como eu sou  
E me encante com seus poderes  
Em verdade preciso de você  
De sua alma junto a minha  
De sua carne junto a minha  
E de seu sangue...

O SENTIDO DE UM HOMEM (PARTE II - FIM)


- Abre a porta! Eu sei que tá em casa! Sinto seu fedor! Já são dez dias de atraso, seu merda! Se não pagar até o fim da semana, chamo o despejo! 

As batidas diárias do velho usurário nem o incomodavam mais, ficar ali prostrado sobre o colchão amarelado, dúzias de pacotes de chocolate, salgadinhos, comida congelada, latas de refrigerante e outros itens de dieta de mercado de conveniência era o suficiente para John. As explicações para o erro dele já bem conhecemos, no entanto, ele, o maior interessado, não pode nem por mim nem por você ser ajudado, acha que para si está fazendo os maiores dos favores deixando-se perder seus dias em desespero desmedido em vez de reagir, mas que fazer? Estava em choque desde o acontecido, só teve forças para comprar o máximo de guloseimas que pôde com o resto de dinheiro da saída do trabalho e cair naquela cama para se tornar um monstro devorador de lixo. Nem ao banheiro ia mais, defecou nas calças até onde pôde, quando não mais cabiam fezes nela, abaixou-a o suficiente para deixar o bolo fecal escorrer livre do reto para a borda da cama, agora com um rastro marrom que servia de guia para a merda que se acumulava em punhados cada vez maiores no solo. A urina vez ou outra escapava-lhe amarelada e mal cheirosa da uretra, moscas paridas de cadáveres acumulavam-se em derredor das poças formadas em partes diferentes do quarto – a única diversão de John era manipular seu pênis para lá e para cá nas vezes em que se dava conta que estava mixando. Flutuando em bandos cada vez mais numerosos, as moscas disputavam com as baratas os restos dos hambúrgueres rejeitados por John. O fedor já se podia sentir vez ou outra nos apartamentos vizinhos, sobretudo quando John resolvia mover-se para dar um descanso para um dos lados do corpo, o odor estagnado, em resposta, então parecia mover-se para fora do apartamento para buscar um local com menor pressão de gazes, que se tornavam mais compactados pelos flatos ruidosos que ele liberava com vigor minutos após comer mais uma rodada de salgados, doces, refrigerantes e hambúrgueres acebolados. 

Numa manhã, sem qualquer motivo, John decidiu ligar a televisão, com um grande esforço que lhe rendeu uma fuga inesperada de gazes, alcançou o controle e ligou o aparelho. Passava um telejornal em que o apresentador, com uma expressão forçada de dor, dava a notícia da vítima da vez do trânsito enquanto cenas do local do acidente eram exibidas até culminar em duas ou três fotos sorridentes da falecida: 

- Morreu, hoje, atropelada na rua ***, a jovem Ester de Matos Freitas, vinte e dois anos. Ela trabalhava como secretária e estudava Biologia na UF**. O motorista fugiu sem prestar socorro, a vítima chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital. Familiares irão velá-la hoje a tarde no cemitério ***. Uma pena! Uma pena! Até quando os jovens do nosso Brasil vão continuar morrendo nas estradas, Elizete? 

- É um problema grave, Osmar. Mas a gente sabe... 

As análises da pan-especilista televisiva, o assentimento dos âncoras e suas repetitivas explicações decoradas sobre casos parecidos não interessavam a John. Há dias que ele não se levantava da cama, mas a notícia fê-lo, com esforço, sentar-se na beira contaminada de fezes, sem nem mesmo perceber, mergulhou os pés no monte de esterco acumulado, mas em vez de chorar, sorriu, e o sorriso expandiu-se numa risada larga que virou uma gargalhada descontrolada. As lágrimas agora eram de uma alegria sincera, riu-se até literalmente cair, rolou no chão sobre a merda e o mijo, espalhando-os sobre as poucas partes ainda não contaminadas do quarto. Com a mandíbula dolorida, continuou a rir-se mais e mais, ignorando completamente o velho que à hora do almoço, religiosamente, ia bater na porta: 

- O aluguel, seu bosta! Sinto seu fedor! Agora ri da minha cara é? Vai ter despejo, Jon! Despejo! 

- É John, seu valho gaga! E vai pro inferno com o seu despejo! 

Respondia o outro após dias e em meio a risadas convulsivas. 

 tá fudio, moleque!  tá fodido! 

O riso cessou de pronto. John pôde mesmo escultar os passos vigorosos do velho descendo a escada. Era o momento de fazer algo, não poderia mais ficar ali jogado em meio ao lixo parido dele mesmo. Deveria, finalmente, agir como deveria ter agido desde o início da sua vida: com temeridade para conseguir seus objetivos, sem pensar nas consequências. E aquele episódio, aquela morte, agora sabia o nome dela, a morte de Ester, seria o evento marco da mudança indelével da sua vida.  Contudo, precisaria vê-la uma última vez, vê-la sendo enterrada seria o evento simbólico para o reinício, com ela iria todas as falhas, uma vida miserável, os desejos insanos, a terra sobre o caixão de Ester seria a terra sobre uma vida morta. Encontrou, após algum esforço, uma muda de roupa um pouco limpa, pelo na medida para não ser confundido com um mendigo. Tomou um longo banho de não menos que uma hora, arrumou-se como deu com restos de perfume, desodorante e gel. Antes de sair, espiou pela janela para ter certeza que o velho não estaria de tocaia na saída do prédio e desceu as escadas com certo vagar que não era muito condizendo com o medo inicial de ser cobrado, mas que se mesclava perfeitamente com a estranha leveza de espírito de John. Aquele reinicio haveria de ser mais que um mero assistir de caixão sendo engolido por terra.

EDITORIAL - VIGÉSIMA OITAVA EDIÇÃO!


Todo ser vivo quer, em primeiro lugar, sobreviver. O resto é adereço. Ornamentação inventada. Desejos de egos inflados. Não aceitação da sua natural condição: Insignificância. Ostentando poderes, credos, torres, amores , angústias, esquece-se de que é mero acaso. Que no fim, nada possui significado. Não existe planos perfeitos nem aqui, nem depois. Somos obra do aleatório, e não servimos à nada, à ninguém, nem para nada, nem para qualquer coisa.
Mas, esquecer é o nosso remédio. Nos deleitamos da forma que der e vier. Ah, e não esqueceremos aqui do amor. Sim. Que faz indivíduos terem esperança de sobreviver. Moribundos sobrevivem porque amam e só. Esquecem da primeira regra, sobreviver é apenas sobreviver. E assim seguem, realizando-se ou não. Correndo atrás de suas paixões, com buques de flores se despedaçando, ao som de porta fechadas. Ou ainda, introduzindo-se sem consentimento em orifícios já desfalecidos, sem vida. Inventando em suas cabeças um falso amor recíproco.
O que será desses quando descobrirem a sua verdade metafisica, quando perceberem que são traços mal-acabados, sem objetivos, rascunhados em universo que em si mesmo é o nada e o não significado?

Não prossiga. Os dias são sempre iguais. Masturbe-se, numa tentativa torpe de desmantelar-se e virar um gozo sem esperança, um eco orgasmático se desmantelando no espaço sem fim.

O SENTIDO DE UM HOMEM (PARTE I)


Todos os dias, ele tinha um ritual tão sagrado quanto os mais sacros dos ritos: espioná-la. Ela morava no prédio do outro lado rua, eram vizinhos de janela. Apesar de ela fechar as cortinas sempre que ia se trocar antes de descer para a parada em frente do apartamento para trabalhar era possível vislumbrar-lhe a silhueta. John sabia o horário exato que deveria posicionar o seu olho certeiro entre as cortinas da sua janela estrategicamente posicionada, sabia que sempre, de segunda a sexta, com exceção nas quartas – quando ela ia trabalhar em torno das 6h32min –, sabia ele que às 7h, com um atraso ocasional de cinco minutos, ela estaria lá removendo a camisola sedosa das formas macias, o sangue já corria violento pelo corpo de John, sem perceber sua respiração ficava ofegante, os sentidos primais projetavam-se além da rua, adentravam de assalto o quarto dela e de seu corpo tomavam conta: o olfato deixava-se cair chafurdado sobre o sexo da mulher, enterrava-se fundo nela e sugava com o ar seus líquidos internos; o tato confuso tentava absorver ensandecido todas as sensações do contato com a pele do corpo inteiro, subindo e descendo dos seios às nádegas, sentido as curvas e deixando-se fixar-se por uns poucos segundos no estreitamente da cintura; os olhos singrando loucos todas as partes agora dominadas, ia maximizando os demais sentidos, fechando-se rapidamente ante os avanços do paladar, que absorvia o sabor de cada célula quase fundindo-se com elas tamanha a força de seu percurso úmido do ânus à boca passando pela vagina encharcada; a audição deixava-se inundar pelos gemidos que não sabia ele ser de pavor ou prazer, e quando dava-se em si os gemidos eram dele e só dele, suando e ofegando olhava para si mesmo e via uma mão tomada de sêmen com algum líquido jorrado na cortina, limpava-se rapidamente para vê-la mais uma última vez na parada em frente de casa, naquela começo de dia, lá estava ela, sempre com um vestido leve, hoje, ela estava com o florido, John odiava aquele, porém não se importava, ele caia-lhe bem de qualquer modo, assim como os cabelos lisos e talhados com uma inclinação ascendente a partir da altura do pescoço, eles iam-se subindo com esse corte até a nuca, os fios negros perdidos quase sufocados pelas cabelos doirados em maior volume eram tal o rosto branco com falhas perdoáveis um prêmio a ser conquistado e cultivado – desse modo os pensamentos de John deixavam-se divagar, mas não com a rudeza das palavras, antes formavam-se impressões confusas que se manifestavam em sensações físicas contidas, tudo mesclava-se numa nuvem de bem-estar que logo dissipava-se para ser substituída por outra, aí ele pensava em como seria O homem para ela e como ela deveria aceitá-lo por ele ser o único que até então a amara verdadeiramente, seguia nesse auto-encanto por alguns minutos todos os dias até que o toque do celular o impingia ao trabalho.

No trabalho, entretanto, a produtividade do nosso amigo apaixonado ia-se ao mundo das fantasias junto com John e sua amante de janela e lá ficava com a cobiçada fazendo trabalhos que só no mundo dos sonhadores tem forma, achegava-se até ele e sua amante, agora ambos sentados sobre um toalha de piquenique perfeitamente desdobrada sobre a relva reluzente, um sujeito carrancudo que só sabia falar “quer um chocolate também? Quem sabe um cafezinho especial para um homem especial?” Ao que respondia John: “claro, algo especial para um homem especial e sua mulher especial; obrigado.” E sorria bobamente enquanto olhava para ela ao mesmo tempo dando-lhe a mão em palma, deixando os dedos cruzarem-se numa união afetuosa e recebendo em troca um sorriso morno de alegria eterna que transmutava-se num rosto barbudo com dentes amarelados pelo pior café que as repartições de escritório podem oferecer:

“John! Parece que a sua mulher especial anda fazendo você bem feliz! Hahaha!”

O barbudo apontava para uma mancha de sêmen não percebida por John antes de sair e continuava:

“E então? Qual foi o número? Aquela do última BBB? Ou será que você prefere algo mais década de 90? Quem sabe uma Tiazinha ou Feiticeira? Hahahha!”

Irrompeu o escritório quase que inteiro, ou melhor, no máximo, naquele momento, apenas aquela repartição em particular em riso tremendo que fez o nosso caro John procurar quase que convulsionado por um papel qualquer que lhe pudesse remover aquela mancha de seu estupro mental matutino e quem sabe recuperar-lhe alguma dignidade.

“Isso... I-i-i-i-isso não é o que você disse!”

“Ah, não?”

“Não!”

“Hehehe! Tanta faz – os risos diminuem e todos voltam pouco a pouco à simulação de trabalho habitual – tanto faz, John, o chefe precisa falar com você hoje de qualquer modo, e eu, como seu supervisor, precisava dar o aviso, considere-se avisado e, da próxima vez, limpe melhor as calças depois bater uma pra sua revista.”

AMOR-VERDADEIRO




O cheiro desconfortável de formol e outros produtos impregnava o ar. Seis horas, permanecia ele por ali. Mas o costume é sempre a salvação do homem, a adaptação, nossa melhor qualidade. Da clássica rotina, casa e trabalho, ida e vinda, seguia ele. Jovem solteiro, de aspecto normal, nenhuma singularidade, nem rara beleza. Com costumes simples. Vida de pequeno burguês, assegurada pelo emprego vitalício no setor público.  Amara uma ou duas vezes, platonicamente.
A diretora da escola, bela e estonteante mulher, no auge de seus  41 anos, amor de escola. Nenhum contato. No máximo, nutria ela um orgulho pelo nome do jovem que se destacava nas Olimpíadas de matemática. Ele por ela masturbava-se diariamente. Findou tudo com sua partida para a universidade. Cursou Direito, sem chegar ao diploma. O seguro emprego público deu tudo que ele precisava.  Durante os estudos acadêmicos enamorou-se por uma jovem colega, que tinha  nele um fiel e companheiro amigo. Morria de dores, sozinho, quando deixava ela nas  festas com outros belos rapazes.  Nunca  dariam  certo.  Curiosa,  aventureira.   Experimentava  o  mundo.  Ela  era  assim, imprevisível. Seu único defeito, do ponto de vista simplório dele.
As últimas notícias que recebeu da dita cuja se originavam na Colômbia, estava percorrendo a América Latina sobre duas rodas e poucas mochilas, sozinha. Ele nunca se arriscaria a tanto.  Abandonar o conforto do lar simples e aconchegante. O videogame e a tevê de última geração. O café expresso saboroso. Alguns bons livros. E a paz plena da quietude. Nunca dariam certo. Seu maior radicalismo era os 540 mls de vinho português e um baseado no fim de semana.
Mas falamos do amor, porque agora as coisas mudavam.

CUZINHO II




Esta é a história de um homem que sonhava com a imortalidade. Ele acreditava que o ouro era o mais poderoso entre todos os metais. Ele acreditava que o ouro era imortal. Este homem também acreditava que, caso conseguisse sintetizar um ouro  potável, tornar-se-ia imortal ao bebê-lo. Este
homem buscou, entre muitas árvores e bites, o local onde encontraria a pedra filosofal. Sua crença de que com a pedra filosofal ele poderia sintetizar ouro potável permaneceu inabalada por décadas.
Inabalada até tornar-se verdade. O tempo passou até que um dia encontrou. 
Com  a  pedra  filosofal  ele  pôde  sintetizar  ouro  potável.  Bebendo  ouro  potável  ele,  teve  uma surpresa. O homem descobriu uma verdade metafísica. No momento em que o ouro potável tocou
em sua língua, ele sentiu uma verdade tão clara e indubitável em seu espírito que nunca poderá duvidar dela. Muitos dizem que ele só teve acesso a esta verdade porque agora estava vendo as
coisas da perspectiva de um imortal.

EDITORIAL - VIGÉSIMA SÉTIMA EDIÇÃO!

Aos homens foi dado pela Natureza o poder de controlar suas ações, mas com frequência falham e deixam suas vontades mais torpes materializarem-se no mundo, contudo, o mundo dos homens os oprime com normas, não podem, pois, os verdadeiros seres livres exercer na realidade toda a sua potência, necessitam canalizá-la sob a forma duma técnica sexual meticulosamente trabalhado para dar à vítima a fantasia do consentimento quando ela está sendo estuprado, a outros resta somente deixar seu prazer esvair-se sobre as penas dum beija-flor decapitado cuja beleza mimetiza a daquela mulher sublime que se não fosse protegida pelos desígnios secretos dos deuses e pelos pelos pensamentos de alguns seria estuprada até sua vagina tornar-se areia. Há ainda quem com nada disso se preocupe e que encontra em si mesmo o prazer terreno: a visão do próprio cu no espelho.

A Hot versa sobre esses temas e neles cai para não mais sair, salvo no dia da gozada final que a todos atingirá como porra nas fuças duma boqueteira.

CONFISSÕES DE UM COSMOPOLITA I


Andava apressado. Caminhando abruptamente. Espalhando o sol da cara, para não queimar o que sobrara para queimar no inferno. Andava. Redomas de cetim mui elaborados caíam sobre a tarde de fim de verão. E um friozinho, desses de dar pequenos tremiliques nas pernas, dava o ar da graça. Ar esse que eu respirava e não obstante, ela também sugava. E era uma estátua grega estonteante. E meus olhos, corrompidos pelos desejos carnais e infames do mundo, queriam devorá-la. Isso não seria o grande problema. Os desejos são parte da nossa natureza humana. Mas meu desejo era mais problemático do que o comum. Embora possa supor que ele concretize-se comumentemente nas mentes de muitos homens. Eu queria devorá-la com violência. Uma vontade espontânea de usufruir de um falso poder ancestral. De dizer, tu és minha, e “pá”. Derrubá-la, arrancar partes de sua roupa e penetrá-la com a fúria descontrolada e sem propósitos. Só assim gozaria sobre aquele corpo de curvas, que embutidas em minha imaginação, dariam-me prazer.

CUZINHO


Era uma noite chuvosa de angústia. O espírito do demônio pairava sobre o asfalto. Enquanto isso, uma jovem ninfeta encontra-se perdida em seus devaneios: “O delicioso cuzinho dessa negra gostosa que esta no espelho. Tento lambê-lo e acabo sempre me beijando na boca! Olhar para o espelho enquanto estou de quatro, com a bundinha virada para ele e separando minhas nádegas com as mãos, tudo para ver o meu cuzinho. Este é meu ritual. Fico olhando para meu cuzinho e desejando enfiar meu braço inteiro dentro dele. Só assim consigo ficar com tesão o bastante para voltar pro bar e seduzir outro dinheiro. Faz uma semana que completei 16 anos e já gastei tudo que ganhei, se eu tivesse poupado poderia estar cheirando ao invés de engolindo a porra desses velhos.
 

UM ESTUPRO CONSENTIDO



A primeira vez que a vi foi em sala de aula, algo sobre cálculo diferencial ou outro assunto qualquer tão simples e enfadonho que me parecia mais atrativo ficar jogando xadrez no celular. Ela usava um daqueles vestidos longos com um decote recatado, era branco e delineava bem a cintura, que tinha algo um tanto peculiar, um volume desagradável que destoava da simetria do rosto, um pouco envelhecido, mas com uma jovialidade incomum. Os cabelos eram completamente negros, da mesma cor dos detalhes que manchavam aqui e lá a roupa para mim provocante. Esses vestidos sempre deixam exalar da mulher alguma sensualidade reprimida, mesmo que não haja muita para exprimir, caem sobre as formas e as tornam harmônicas mesmo que a beleza não seja o atributo mais cultivada na mulher. Dos olhos, pude notar um leve estrabismo convergente, que em nada a tornava feia, pelo contrário: despertava certo ar paternal e lascivo, alguma vontade de Lolita bem lá no fundo trancafiada.

Por alguma razão, eu sabia que iria tê-la. E sempre era assim, sempre foi, toda boa mulher que se ia no meu caminho, logo eu olhava e pensava: eu vou tê-la. Eram para mim uns objetos, colecioná-las era minha alegria, de cada uma, uma foto, um vídeo. Usava-as para me masturbar e para lembrar-me daqueles corpos. Das personalidades, pouco me recordava, realmente, até dos piores momentos não tinha lá lembranças muito fortes, e quando as reencontrava não sabia muito o que falar. No início, sim, tudo era bem diferente, a vontade de domá-las atiçava com ferocidade meus atributos humanos, e palavra alguma deixava de sair sem antes ser precedida por um sorriso senão sincero, ao menos bem direcionado.

EDITORIAL - VIGÉSIMA SEXTA EDIÇÃO!


Você quer gozar? Precisa saber fazer alguém gozar primeiro. Na verdade não sabemos qual a ordem. Mas só pode gozar se o outro gozou também. Não importa o que que queres. Nem se tem pau, buceta ou nada. A vida é assim. Um gozo. Ou deveria ser. Quer gozar? Tem certeza? Quer viver? Não exite. Mas goze e faça outros gozarem. Com ou sem sacanagem. de preferência com. Com. Sacanagem sempre ajuda. Ou sempre salva. Goze. Orgasmo na boca, no pau, na alma, no cu e na cara. Na cara da vida.

A SURPRESA DO MOHEL


O vilarejo amanhecia como sempre amanhecia. O sol despontava. Sentado na frente de sua pequena casa, o Mohel do vilarejo fumava um charuto, olhando para o nada. Sabia que nesse dia, ou no máximo, nos dois próximos dias, mais um filho de Deus nasceria ali. E mais uma vez, iria ele fazer valer o pacto sagrado. O prepúcio cortado. A aliança divina entre Deus e os homens.

O velho Lavi, já tinha vivido seus 67 verões. Vivia no vilarejo, desde que esse havia sido fundado na nova terra. Os membros do vilarejo viviam ocupados com seus negócios e trabalhos. Lavi havia feito a circuncisão de seu irmão mais novo, logo após a morte do pai. E desde então passou a ser um artista da prova carnal da aliança divina.

Mas seu talento procedia para além da sua fé, da crença na tradição e na perícia cirúrgica de suas hábeis mãos. Lavi tinha um fetiche. Obviamente o povoado não sabia disso. Nunca deveria saber.  Ele prosseguiria deixando famílias felizes e sendo feliz na concepção de seus desejos estranhos.

SURUBA SEM PORRA


O amor, hoje, só pode ser a mistura de conceitos que se não conciliam, mete-se para dentro da boca delas o esguicho branco dos testículos, a seguir, com aquela boca ainda fedendo a sêmen, declaram um ao outro os amantes o amor eterno, coisa que não passa de sexo frequente, que se reduz a ocasional, até infrequente, terminado na extinção quando ambos decidem pelo erro do matrimônio eterno.
Fugindo disso, buscam alguns os relacionamentos polígamos ou as orgias de fim de semana, propagadas por tipinhos maleáveis que adequam as palavras aos ouvidos femininos presentes, misturando no argumento nuances de sexualidade feminina reprimida pela sociedade machista, querendo com isso provar que a abertura das pernas femininas ao sexo casual é a melhor maneira de libertação da potência feminista, e claro, sempre ao lado, um amigo já excitado com o provável desfecho.

Eu, canalha um pouco criado, certamente dessas tinha conhecimento, e num bar, desses universitários, de lero casual com duas amigas e um amigo do tipo acima, íamos metendo a história padrão, mascarando nossa ânsia – inflamada por hormônios masculinos tão machistas quanto nós mesmos – por sexo com toda a conversa libertária. 

Uma delas era um objeto de desejo comum, a outra nem tanto. A de lá era loira, cabeleira encaracolada e de pouco volume, dourada e brilhante, pele alva com falhas perdoáveis, esguia com seios altivos e arrogantes que apontavam com vigor para fora, implorando secos por uma baba amiga. A de cá era morena, com ombros em altura inadequada, de um jeito que causava certa perturbação, contudo, beleza ali havia, de um tipo primitivo, que acende quando vemos uma paralítica gostosa, daquelas que dá vontade de fuder na mesa de operação de coluna.
- Suruba.
- Suruba!