A FLORESTA NEGRA


A Floresta Negra, amaldiçoada por seres cuja nossa compreensão não é capaz de alcançar, em uma era anterior ao nascimento dos deuses.

Nela vaga uma pobre menina, a neblina e o orvalho não a impedem de continuar, tão pouco os gemidos das árvores em eterno lamento.

A menina vaga nua, no dia do seu décimo segundo solstício, seus cabelos lisos e loiros deslizam por seu corpo puro e seus olhos determinados a seguir em frente parecem não enxergar todo o perigo que a cerca.

Mas ela consegue, chega ao Grande Pinus, chega ao centro da Floresta Negra, a menina se agarra ao grosso caule e começa a escalada com espetacular habilidade, é como se seu corpo deslizasse até o topo da árvore para, no último galho, encontrar o maior e mais belo Amanita, aquele cogumelo vermelho, como uma bolha de sangue da árvore, havia sido deixado lá por alguém para ela, alguém que sabia que a garotinha acordaria no meio da noite, olharia para seus pais pela última vez, se despiria e entraria na Floresta Negra para nunca mais voltar...

Ela come o cogumelo, devora-o com gula, selando o pacto, unindo sua alma com a Floresta...

Uma matilha de lobos uiva como legiões de demônios ao pé da árvore, ela sente a árvore acariciando-a, os galhos passando pelo seu corpo, ela sente sua pureza indo embora a cada centímetro que os galhos daquela árvore penetram sua vagina, ânus e boca. O sangue jorra e deles nascem novos cogumelos, ela escuta um trovão e ao fundo uma gargalhada, quando se dá conta que já não é mais uma menina e sim um novo galho no centro da Floresta.

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